Perfil e funções do professor bibliotecário
Programa para o desenvolvimento da literacia da informação
Embora
com uma história recente no nosso país, as bibliotecas escolares (BE) têm vindo
a ganhar um lugar de relevo na sociedade
de conhecimento atual. A integração das BE na era de revolução tecnológica/digital
e das mudanças sociais conduz-nos a focalizar a nossa atenção nos “novos princípios de aprendizagem”, nos desafios
pedagógicos e formativos emergentes na fase de «explosão de informação», com
reflexos na definição de objetivos e finalidades da educação, das BE e
professores bibliotecários (PB). Exercendo um impacto significativo, nas
metodologias e “princípios” de ensino/aprendizagem, a sociedade atual, com os
novos ambientes de informação e comunicação, impõe
uma atualização de conhecimentos e um novo paradigma educacional: o aprender a
aprender; saber aceder, utilizar informação e gerar conhecimento a partir de
novos equipamentos, tecnologias e ambientes. As aprendizagens de índole
académica competem agora com outro tipo de competências complexas que os alunos
têm de desenvolver para ler, comunicar, interagir, pensar e aceder ao
conhecimento; competências de informação; literacias implícitas nas
aprendizagens. Literacia da leitura
(desenvolvimento das competências de leitura e comunicação, numa fase em que a
leitura se tornou rápida, superficial, fragmentada), dos média (aquisição de novas formas de comunicar e interagir através
dos média, em ambientes sociais e digitais, de forma responsável, informada,
criativa e cívica) e da informação (aquisição
de competências para utilização dos recursos e ferramentas). O enfoque passa a
ser no processo, no respeito pelos diferentes estilos de aprendizagem e
necessidades individuais, na forma como o aluno manuseia ativa e autonomamente
a informação para transformá-la e construir conhecimento, na formação global
(desenvolvimento da leitura e das literacias, promoção de atitudes e valores).
A escola tem, então, de readaptar o seu espaço físico e os seus serviços aos
desenvolvimentos tecnológicos, aos “modelos de aprendizagem” emergentes e à
versatilidade do estudante. Os novos contextos de aprendizagem substituem os
velhos instrumentos de informação pelas novas tecnologias digitais, através das
quais os alunos comunicam, criam e aprendem, cómoda e rapidamente.
A BE é o espaço por excelência, para
o desenvolvimento de atividades de produção do conhecimento, que colocam o
aluno no centro do processo democrático de aprendizagem, preparando-o para
viver como cidadão responsável. Este é um recurso fundamental pelas condições
espaciais, pelas possibilidades de aprendizagem que encerra e pela
democratização na igualdade de acesso que proporciona. São o núcleo para o
desenvolvimento das literacias, desenvolvimento cultural e científico. Além do
equipamento e fontes de informação diversificadas, os recursos humanos de uma BE,
desejavelmente qualificados, proporcionam a estimulação necessária para a
aprendizagem. O PB é um mediador fundamental numa BE – centro de construção de
conhecimento, de aprendizagem e de educação permanente. Ao professor
bibliotecário atribui-se uma panóplia de competências cuja ação consertada é
condição crucial para a sua qualificação, a consecução de um bom desempenho e
consequente impacto positivo nos resultados escolares e educativos da
comunidade estudantil. Desempenha, assim, um papel basilar em domínios tão
relevantes como: a estimulação e motivação pela leitura; a aquisição da
competência de leitura; a transformação dos alunos em leitores autónomos e para
toda a vida; o desenvolvimento da capacidade de aceder, selecionar, filtrar
informação e a produção de métodos de pesquisa/estudo e de alargamento de
conhecimentos.
Pela
panóplia de funções que desempenha, a BE é um pilar fundamental em várias áreas de intervenção. Isolaria três que
considero relevantes. 1. A BE como
centro de oportunidades de aprendizagem através de um trabalho articulado com os professores da escola, ajudando-os a
planificar, dinamizar atividades curriculares e extracurriculares
significativas. O
trabalho em equipa pode resultar na implementação de programas onde se integrem
conteúdos disciplinares curriculares de forma flexível, se procurem resolver
problemas de aprendizagem e encontrar soluções, através da literacia da
informação e da implementação de estratégias inovadoras. 2. A BE favorece o desenvolvimento de
competências de leitura e digitais num processo de aprendizagem ao longo da vida. A BE pode assumir-se como um recurso
fundamental neste elo de ligação, criando motivações, momentos informais para
que a família se desloque à escola ou contribua para uma aproximação dos alunos
ao universo da leitura. Esta poderá constituir uma ferramenta essencial para a
construção de uma teia de afetos, partilha de emoções e de histórias de vida. Estimular a família e
posicioná-la como mediadora da construção do leitor, desde cedo; promover
atividades que pressuponham momentos de leitura em família; que incutam
sentimentos positivos em relação à leitura e troca de afetos resultará em
inúmeros benefícios na construção de um bom leitor e consequentemente de um bom
aluno. 3. A BE como mediadora de criação de redes de
comunicação
através de parcerias institucionais, elegendo a leitura como agente de
mudança e sucesso educativo e a BE como serviço
cultural e educacional para toda a comunidade.
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