sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sessão 2- A Mudança está em mim - Projetos de leitura

A Biblioteca escolar no contexto de mudança
Perfil e funções do professor bibliotecário
Programa para o desenvolvimento da literacia da informação



Embora com uma história recente no nosso país, as bibliotecas escolares (BE) têm vindo a ganhar um lugar de relevo na sociedade de conhecimento atual. A integração das BE na era de revolução tecnológica/digital e das mudanças sociais conduz-nos a focalizar a nossa atenção nos “novos princípios de aprendizagem”, nos desafios pedagógicos e formativos emergentes na fase de «explosão de informação», com reflexos na definição de objetivos e finalidades da educação, das BE e professores bibliotecários (PB). Exercendo um impacto significativo, nas metodologias e “princípios” de ensino/aprendizagem, a sociedade atual, com os novos ambientes de informação e comunicação, impõe uma atualização de conhecimentos e um novo paradigma educacional: o aprender a aprender; saber aceder, utilizar informação e gerar conhecimento a partir de novos equipamentos, tecnologias e ambientes. As aprendizagens de índole académica competem agora com outro tipo de competências complexas que os alunos têm de desenvolver para ler, comunicar, interagir, pensar e aceder ao conhecimento; competências de informação; literacias implícitas nas aprendizagens. Literacia da leitura (desenvolvimento das competências de leitura e comunicação, numa fase em que a leitura se tornou rápida, superficial, fragmentada), dos média (aquisição de novas formas de comunicar e interagir através dos média, em ambientes sociais e digitais, de forma responsável, informada, criativa e cívica) e da informação (aquisição de competências para utilização dos recursos e ferramentas). O enfoque passa a ser no processo, no respeito pelos diferentes estilos de aprendizagem e necessidades individuais, na forma como o aluno manuseia ativa e autonomamente a informação para transformá-la e construir conhecimento, na formação global (desenvolvimento da leitura e das literacias, promoção de atitudes e valores). A escola tem, então, de readaptar o seu espaço físico e os seus serviços aos desenvolvimentos tecnológicos, aos “modelos de aprendizagem” emergentes e à versatilidade do estudante. Os novos contextos de aprendizagem substituem os velhos instrumentos de informação pelas novas tecnologias digitais, através das quais os alunos comunicam, criam e aprendem, cómoda e rapidamente.
A BE é o espaço por excelência, para o desenvolvimento de atividades de produção do conhecimento, que colocam o aluno no centro do processo democrático de aprendizagem, preparando-o para viver como cidadão responsável. Este é um recurso fundamental pelas condições espaciais, pelas possibilidades de aprendizagem que encerra e pela democratização na igualdade de acesso que proporciona. São o núcleo para o desenvolvimento das literacias, desenvolvimento cultural e científico. Além do equipamento e fontes de informação diversificadas, os recursos humanos de uma BE, desejavelmente qualificados, proporcionam a estimulação necessária para a aprendizagem. O PB é um mediador fundamental numa BE – centro de construção de conhecimento, de aprendizagem e de educação permanente. Ao professor bibliotecário atribui-se uma panóplia de competências cuja ação consertada é condição crucial para a sua qualificação, a consecução de um bom desempenho e consequente impacto positivo nos resultados escolares e educativos da comunidade estudantil. Desempenha, assim, um papel basilar em domínios tão relevantes como: a estimulação e motivação pela leitura; a aquisição da competência de leitura; a transformação dos alunos em leitores autónomos e para toda a vida; o desenvolvimento da capacidade de aceder, selecionar, filtrar informação e a produção de métodos de pesquisa/estudo e de alargamento de conhecimentos.
Pela panóplia de funções que desempenha, a BE é um pilar fundamental em várias áreas de intervenção. Isolaria três que considero relevantes. 1. A BE como centro de oportunidades de aprendizagem através de um trabalho articulado com os professores da escola, ajudando-os a planificar, dinamizar atividades curriculares e extracurriculares significativas. O trabalho em equipa pode resultar na implementação de programas onde se integrem conteúdos disciplinares curriculares de forma flexível, se procurem resolver problemas de aprendizagem e encontrar soluções, através da literacia da informação e da implementação de estratégias inovadoras. 2. A BE favorece o desenvolvimento de competências de leitura e digitais num processo de aprendizagem ao longo da vida. A BE pode assumir-se como um recurso fundamental neste elo de ligação, criando motivações, momentos informais para que a família se desloque à escola ou contribua para uma aproximação dos alunos ao universo da leitura. Esta poderá constituir uma ferramenta essencial para a construção de uma teia de afetos, partilha de emoções e de histórias de vida. Estimular a família e posicioná-la como mediadora da construção do leitor, desde cedo; promover atividades que pressuponham momentos de leitura em família; que incutam sentimentos positivos em relação à leitura e troca de afetos resultará em inúmeros benefícios na construção de um bom leitor e consequentemente de um bom aluno. 3. A BE como mediadora de criação de redes de comunicação através de parcerias institucionais, elegendo a leitura como agente de mudança e sucesso educativo e a BE como serviço cultural e educacional para toda a comunidade.


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